Interesses

Par spyvia | Le 20 nov 2006 à 13:28 | Général | (Lu 274 fois)

 

[ ironia ON ]
Tenho consciência que o meu cargo profissional é extremamente disputado e invejado por pessoas de vários quadrantes sociais e profissionais. Sei também que um cargo destes me permite usar e abusar dos muitos poderes disponibilizados para tal. Por vezes, sinto-me como um deus, tal é a minha superioridade e autoridade sobre os outros que por lá andam.

Recentemente, um desses lacaios chegou às instalações e prontamente tratou de apresentar a sua oferenda diária: um autocolante da Pirelli. Estão enganados se pensam que era daqueles autocolantes todos bonitos e jeitosos, ideais para colar nos carros de néons azuis e escapes barulhentos. Era um quadrilátero branco com letras a vermelho, duas cores que eu abomino, que ainda por cima tinha uma lista de compras escrita a lápis nas costas do autocolante. Ora, só consegui imaginar aquela oferenda num verdinho, ao mesmo tempo que pensava “Para que quero eu esta merda? Olha-me este! Nem sabe escrever iogurte!”. Agradeci gentilmente enquanto que redireccionava o lacaio para o seu posto.

Aceito e compreendo que todos os meus súbditos queiram cair nas minhas boas graças. Para tal, existem várias formas de me satisfazer (temporariamente, pois claro). Esta não foi a mais correcta. Fazem isto para que eu seja perdulário para com eles, para que eu feche os olhos enquanto eles executam tarefas que não são permitidas e que em nada favorecem o bom funcionamento da instituição. O que esperam em troca de um autocolante da Pirelli? “Uma oferenda destas deverá ser suficiente para eu fazer asneiras durante 5 minutos sem ser repreendido”. Não o larguei durante a sua estadia, corrigindo constantemente a sua postura e atitude. Eu sou mau.

Já outros têm sorte diferente. Algumas meninas que por aqui andam não precisam de oferendas, pois demonstram toda a sua simpatia através dos generosos decotes (frontais e traseiros). Além disso, não exigem que eu feche os olhos, antes pelo contrário, preferem que eu os mantenha bem abertos a olhar para os ditos decotes, enquanto elas fazem os maiores disparates. Isto pode soar a distracção, mas não o é! Chama-se puro entretenimento e ajuda a passar o tempo com um sorriso na cara e um aperto nas partes baixas.

Desde então, e para precaver outros incautos, decidi voltar a vestir a minha tshirt “Fuck you! I have enough friends” que, apesar de não corresponder totalmente à realidade, chega para assustar estes interesseiros e perturbadores da seriedade profissional.
Não aos subornos!
Não às amizades por interesse!
[ ironia OFF ]

PS – Alguém tem cunha no Hospital? Ainda tenho 3 meses em lista de espera…

 

Uma fotografia N° 6

Par spyvia | Le 13 nov 2006 à 13:42 | Général | (Lu 364 fois)

 

Quantos dias terão ainda que passar para que cheguemos a ver de novo a floração?! Quantos aborrecimentos teremos ainda que suportar?! Quantas angústias teremos de engolir?! Mas uma coisa é certa, esses dias voltarão de novo e com eles o ressurgimento esperado. É tudo uma questão de tempo... para quem lá chegar.

 

 

 

Falta de tempo

Par spyvia | Le 26 oct 2006 à 17:51 | Général | (Lu 321 fois)

“Não ter tempo para nada” parece ser um dos males dos tempos modernos. Contudo, penso que esta percepção em geral é uma mentira ou um erro. Não nego que há situações de vida que roubam de facto todo o tempo disponível, nascimento de crianças, ser trabalhador-estudante, estar envolvido num projecto de importância extrema. Em geral são situações temporárias e não são estas que nos fazem dizer que não há tempo para nada. Pensamos isso para o cidadão comum na sua vida corrente e não em situações excepcionais. Em alguns casos a falta de tempo é apenas uma desculpa para a preguiça e para a falta de interesse pela vida. A desculpa pegou e o mais desocupado dos indivíduos, que pode passar horas afundando-se no sofá frente à televisão, diz-nos que não tem tempo para nada caso lhe proponham alguma actividade mais “pesada”. Está no seu direito, obviamente, utilizar a mentira como trave mestra da sua existência.

Mas na maior parte dos casos, a sensação de não haver tempo suficiente para fazer algo mais que o essencial é apenas um erro. Isso não quer dizer que o tempo não seja escasso, porque o é, e bastante. Para compatibilizar isto a palavra-chave é, dizem-nos, planeamento. Planear existe desde tempos imemoriais mas nas últimas décadas tornou-se num intenso campo de estudo porque é uma das variáveis que mais afecta a produtividade. É curioso que nos cursos de gestão de tempo oferecidos pelas empresas, parte-se do princípio que aos colaboradores de uma empresa pouco interessa essa coisa de ser produtivo e por isso a motivação principal, a cenoura que faz o burro puxar a carroça, é que planear o trabalho dá mais tempo para a vida privada. Mais ainda, pode-se planear a própria vida privada e torná-la mais proveitosa.

Se planear a vida profissional aceita-se em parte, nem que seja por pressões superiores, planear a vida privada parece ser contra-natura para muitas pessoas. Os argumentos são vários, e à cabeça é logo o da impossibilidade de planear a vida privada. É um argumento que obviamente não resiste à mínima contestação, pelo que de seguida argumenta-se que, se o tempo já é tão reduzido, como é possível ainda perder mais algum a planear? Aí teremos de convencer as pessoas de que o esforço é apenas inicial e no curto prazo poupa-se tempo. Finalmente surge um argumento filosófico, o de que planear tira espontaneidade à vida. Se este argumento parece o mais válido, e em termos de liberdade individual é incontestável, no concreto é o mais disparatado de todos. Porque se há algo que falta à vida das pessoas que não se planeiam é a espontaneidade. O problema é que elas nem se apercebem que são escravas permanentes da ansiedade de não ter tempo. E se fosse verdade, como poderiam valorizar essa espontaneidade se não têm tempo para a praticar? A espontaneidade advém dos indivíduos terem-se libertado de alguns fardos que lhes deixam a possibilidade de concentrar no essencial. Por isso, o melhor planeamento é aquele que dá mais tempo à criatividade. Porque planear não é decidir de antemão tudo o que se vai fazer mas criar balizas temporais que possibilitem fazer o que se quiser.


O planeamento da vida pessoal tem uma dificuldade extra em relação ao profissional, relacionado com os objectivos, que à partida estão definidos neste último. Porque não tem sentido nem eficácia planear sem objectivos em vista que realmente se querem alcançar. A situação de vida de cada um é tão complexa que ninguém de fora pode ajuizar o que é melhor para outrem. Por isso, o que escrevi acima tem uma validade relativa, não tendo sido pensado como um conselho que todos deveriam aplicar.

 

Postar?

Par spyvia | Le 25 oct 2006 à 16:56 | Général | (Lu 288 fois)

 

NÃO ME APETECE! OK?

 

Um exercicio de concentração

Par spyvia | Le 25 oct 2006 à 16:48 | Général | (Lu 1733 fois)

Olhem atentamente para a figura em anexo e vejam se conseguem perceber o mar, as ondas quebrando, o horizonte ao fundo, o sol a raiar...
Enfim....
Façam isto numa hora bem "calma".
Sem stresses, sem agitação, para que se consigam concentrar plenamente.
Dizem que só algumas pessoas conseguem ! ....

 

Hoje estou assim...

Par spyvia | Le 13 oct 2006 à 15:54 | Général | (Lu 272 fois)

 

 

Uma fotografia N° 5

Par spyvia | Le 13 oct 2006 à 15:49 | Général | (Lu 549 fois)

 

Não, não vou falar de D.Sebastião, mas gosto destas manhãs brumosas e calmas. Têm um certo mistério que liberta a imaginação e permite que viajemos. Mais ainda... a temperatura é a ideal para que aconcheguemos o corpo com uma camisola, o que é muito do meu gosto.

 

O Amolador

Par spyvia | Le 13 oct 2006 à 15:41 | Général | (Lu 11168 fois)

 

Chega pela manhã, aos fins-de-semana,já o sol vai alto, talvez depois das dez/ onze horas,e faz-se anunciar através do som de uma gaita ou flauta, que o identifica com facilidade. Aquela que sempre usou. De cor alaranjada. Veste sempre da mesma maneira. De Verão e de Inverno. Roupa que mata o frio também não deixa que o calor entre. Usa uma bóina cinzenta, velha ,de pala suja de tanto a ajeitar na cabeça, enquanto executa os trabalhos de afiação, um casaco da mesma cor,largo e comprido, de ombros descaídos,que certamente deveria ter sido feito para outro corpo, uma camisa grossa de xadrez e umas calças largas, atadas à cintura com um cordel. Afia facas, tesouras, canivetes,navalhas, conserta chapéus de chuva, alguidares de barro, jarros, travessas...
Vem na sua velha bicicleta, onde está montada a pedra de esmoril com que executa os trabalhos. Na mesma, vem também uma caixa com as ferramentas,várias, de diferentes tamanhos, feitios e utilidades: martelos, muitos alicates de pontas diferentes, pregos, arame, gatos... e ,ao lado da caixa, ainda traz uns chapéus de chuva, velhos,que o ajudam nos consertos que as suas clientes lhe pedem: substituição de uma vareta empenada, um pedacinho de pano aqui ou ali, um cabo novo...
Havia, e ainda há, a crença de que o amolador anuncia chuva e, de facto, a última vez que o ouvi, em Julho passado, sob um sol radioso e abrasador, que em nada fazia prever o mais pequeno aguaceiro, ele caiu no dia seguinte.Há coisas que não se explicam. Vamos lá saber porquê!
O Márinho é o único amola-tesouras que conheço. Um tipo doce e bonacheirão que nunca chegou a ser tratado pelo seu verdadeiro nome e toda a gente o trata assim, apesar dos seus setenta e seis anos. Homem "poucochinho" como chamam na aldeia àqueles que permanecem ingénuos vida fora, que não atiram aqui ou ali uma brejeirice, que mantêm a mesma expressão doce e delicada para homem ou mulher. A bicicleta, quase tão velha como ele, é e sempre foi o seu ganha-pão.O pai, que o meteu no ofício,já lá vão mais de sessenta anos, tinha um carro de madeira, com uma só roda, grande, e calcorreava as cidades a empurrá-lo e a tocar a flauta . O Márinho chega pelas dez/ onze horas da manhã ou ao fim da tarde, sempre aos fins-de-semana. Anda por outras paragens, nos restantes dias, mas disse-me que o seu giro é pelas portas dos mercados municipais, feiras e mercados. Aqui na aldeia, onde o trabalho no campo é a principal actividade, pouca gente encontraria se viesse noutros dias que não fossem o sábado e o domingo. E, mesmo nestes, tem de chegar um bocadinho mais tarde. Sábado é dia de avio de mantimentos para a semana, domingo é dia do Senhor e não há quem falte à missa. Afia de tudo um pouco na roda de esmeril que faz girar com o pedal da bicicleta: facas, tesouras, navalhas, serras...mas também conserta alguidares de barro, tigelas, pratos, pondo-lhes uns ferros a que nós chamamos gatos.
Esta alma bondosa, simpática, contadora de anedotas inocentes, ganha muito pouco neste negócio e , como ele diz, vai-lhe dando para as sopas porque nunca constituíu família. Apesar disso mantém uma alegria contagiante e, enquanto trabalha, não pára de trautear modinhas do seu tempo de jovem. Outros, não conheço mas sei que ainda os há por essas aldeias do interior onde o hábito de mandar afiar navalhas e tesouras se vai mantendo entre os mais antigos. Tal como outras profissões, também esta tende a desaparecer e o amolador vai passando, tocando a gaita ou flauta, mas poucos são os clientes que o esperam. Tudo muda na voragem do consumismo destes tempos em que impera a lei do descartável.
Vai aparecendo Márinho, tu não tens férias, nem fins-de-semana mas tens uma alegria contagiante, uma humildade que se foi perdendo nos tempos, um brilho nos olhos que me enche o coração , um sorriso terno como poucos e a ingenuidade que faz de ti um homem ímpar. Estou à tua espera. E vou arranjar umas facas para amolar só para falar contigo e olhar esses olhos ternos e doces.

 

Belíssimo! Eu sou belíssimo

Par spyvia | Le 12 oct 2006 à 13:38 | Général | (Lu 812 fois)

 

 

Como fugir do próprio corpo? Fechei os olhos e quando acordei meu corpo era o mesmo: nenhuma asa de anjo, nenhuma asa de imaginação que me fizesse levitar ou levantar vôo. Abri os olhos e continuo vendo as mesmas coisas. A cor dos meus olhos permanece a mesma. E agora vejo que a minha pele começa a enrugar, minha voz está mudando.  Então, tenho que mudar o modo como vou dormir, o modo como vou me acordar, o modo como vou viver ou pretendo, necessito, sonho, desejo VIVER. Quanto a morrer, ainda nem sei como começar a decidir. É difícil crer que ela (a morte) virá a mim, mas não sou exceção. Bem, desejo que alguém se lembre de mim como uma boa pessoa, apesar das minhas falhas. Espero que alguém tenha boas lembranças, apesar que por vezes sou brusco, deprimido, chato. Mesmo assim, não meço esforços para dar o melhor de mim pra ajudar a quem necessita. Sei que quase sempre não posso fazer muito.

Ainda que faça plásticas, isto não retardará o processo. E, certamente, de algum modo inesperado, em um momento desconhecido, poderei dar adeus a mim e ao mundo e às pessoas a quem amo.
Mas, enquanto o fim não vem, enquanto este começo eu desconheço, posso chamar de JÁ e desde JÁ:

CANTAR..CANTAR...CANTAR...
ABRAÇAR...ABRAÇAR...ABRAÇAR...
RESPIRAR...RESPIRAR...RESPIRAR...
COMER O SOL....
LAMBER A LUA...
AMAR...AMAR...AMAR..
SENTIR O CORAÇÃO BATER...
FALAR COM VOCÊ!
COMIGO MESMO!
DANÇAR, COMER, ME ACHAR LINDO::

Sabe, tem dias que de manhã, assim que acordo, eu digo be-in, be-in bem altão, uma versão de uma música que nunca encontrei em lugar nenhum, a não ser num programa de humor, cantada (pela caridade, é verdade) por uma drag queen, que era o cão de tãO FEIA:
"Belíssimo!! Eu sou belíssimo!"
Certo, é um besteira. Mas, minha família adora. Minha mãe por vezes pergunta: "Cadê belíssimo?"
BELÍSSIMO. O VIVER É BELÍSSIMO. AFINAL, O QUE SERIA DO JUIZ SEM O BANDIDO? O QUE SERIA DA CORREÇÃO SEM O ERRO?

VOCÊ É BELÍSSIMO!!!

 

"A Euforia Perpétua"

Par spyvia | Le 12 oct 2006 à 11:41 | Général | (Lu 309 fois)

 

 

 Uma nova droga colectiva invadiu as sociedades ocidentais: o culto da felicidade. Sejam felizes! Terrível mandamento ao qual é tanto mais difícil subtrairmo-nos quanto decorre da vontade de contribuir para o nosso «bem». Vivemos, afinal, num mundo em que, desde os medicamentos que tomamos para o nosso bem-estar à valorização delirante das performances sexuais, passando pela industria dos chamados tempos livres, tudo parece tender para a utopia que não admite ambiguidades nem interrogações. E se abandonássemos a ideologia da felicidade? E se passássemos a celebrar os estados de graça ocasionais?

 

Hoje estou assim.....

Par spyvia | Le 11 oct 2006 à 13:48 | Général | (Lu 279 fois)

 

 
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Uma fotografia N° 4

Par spyvia | Le 11 oct 2006 à 11:04 | Général | (Lu 286 fois)

 

 

A proximidade de alguém de quem se gosta e com quem nos sentimos bem é uma preciosidade. Há que cuidar bem desses momentos e fazer com que sejam bem frequentes. Afinal, os sorrisos mútuos são extremamente reconfortantes... e fáceis de dar!

 

SOMOS LIVRES (UMA GAIVOTA VOAVA VOAVA)

Par spyvia | Le 11 oct 2006 à 10:54 | Général | (Lu 378 fois)

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Ermelinda Duarte

e moi j'adore......................

 

Por Caminhos Pecaminosos

Par spyvia | Le 09 oct 2006 à 13:40 | Général | (Lu 342 fois)

 

  Zé Lino representa na perfeição aquilo que os americanos há muito definiram como um “one man show”. Não no sentido “toca acordeão, gaita-de-beiços e ainda equilibra pratos, tudo ao mesmo tempo e com um pequeno macaco ao ombro que toca ferrinhos com a mestria que a sua existência simiesca lá vai permitindo”. Zé Lino será antes um “one man show” no sentido em que é só um gajo e dinamiza aquilo que, em rigor, até se poderá considerar um espectáculo. Espectáculo, não na sua essência adjectival, claro, mas na sua natureza meramente nominal. Especificando um bocadinho mais a coisa, adiante-se já que Zé Lino é um músico. Faz casamentos, baptizados, karaoke, bares, eventos e diversos eteceteras e tal. Portanto, actua basicamente em todo o lado onde o bom gosto não seja tido nem achado. Como não podia deixar de ser, nesta era da inovação, Zé Lino tem um site pessoal: o www.zelino-music.com. Music, para não confundir com os outros Zé Linos que já existiam e tinha um site a promover os seus serviços. Nomeadamente o Zé Lino Magic, o Zé Lino Tarot e o Zé Lino Instalação de Alcatifas, Laminados e Lamparquetes.

Para entrar no site de Zé Lino propriamente dito, temos que carregar num botão vermelho e, de imediato, somos recebidos pelo “Dancing in the Dark”, esse célebre hino de Bruce Springsteen. E, francamente, explorar o Zé Lino Music é um bocadinho como dançar às escuras. Há várias secções. Na secção “Quem sou” o músico fala de si na terceira pessoa. Não porque sempre lhe custou mais conjugar a primeira pessoa do singular, mas porque quer que os seus leitores pensem que foi outra pessoa que escreveu aquilo. O seu biografo? Talvez. Mas percebe-se que foi ele. Foste tu que eu sei. Foste tu, Zé Lino. Musicalmente, gosta de tudo um pouco. Por exemplo, e vou citar inteiramente o autor, “na sua opinião tocar Jazz não é pera doce e para quem conhece, mais ou menos, a linguagem é muito giro.” Sim senhoras! O próprio José Duarte não poria a coisa em melhores termos.

Zé Lino é também um homem de ideais. Luta por aquilo que quer. “Aos 17 anos participou num concurso na Rádio Cidade que consistia em juntar o maior número de assinaturas, seguido do respectivo número de bilhete de identidade” (&hellipZé Lino começou a juntar assinaturas já havia decorrido 1 mês e meio. Conseguiu arrecadar 3600 assinaturas. Muita gente não acreditava que conseguia e diziam que era um tempo perdido pois nunca penasaram que arranjava 3600 assinaturas, ganhando a guitarra de Slash. Ainda houve um segundo classificado com 3300 assinaturas. Por isso se diz que querer é poder”. Exacto. Por isso! Porque Zé Lino conseguiu 3600 assinaturas e o outro gajo só conseguiu 3300. É daí que vem este celebérrimo adágio.

 

Mas Zé Lino não é só jazz e assinaturas. Zé Lino é pândega. Zé Lino é folia. Zé Lino é regabofe. Zé Lino é patuscada. Zé Lino é funçanata. E a realidade é que eu podia estar aqui bem mais tempo. Conheço umas boas centenas de sinónimos do vocábulo “festa”. Aquela da boa. Da grossa. Da rija. Mas vou avançar. Verdade, verdadinha, é que Zé Lino e os amigos “faziam trinta por uma linha nos montes”, com os seus jipes, os “Guerreiros”, que, não raras vezes, ficaram atascados por esse Portugal fora. “Agora, diz que a predisposição para ficar atascado não é tanta, pois tem muitas outras coisas muito interessantes para fazer e não quer ter trabalho a desatascar Jipes.” Mas leiam lá o relato daquela vez em que “um dos Jipes ficou atascado ao pé de um desaguamento de esgoto”. Só vos digo que “foi fartar de rir” e que envolveu um “tractor daqueles grandes.

Zé Lino “gosta muito de açorda de marisco, leitão, choco frito e um bom vinho, mas claro quem o conhece sabe que come tudo.” Pessoalmente, nunca duvidei. Bastou-me olhar para ele uma vez para duvidar, isso sim, se o próprio oxigénio que consome não será também altamente calórico. Diz ainda que a melhor banda do mundo são os Pink Floyd (Roger Waters), mas o melhor concerto foi do Roger Waters (Pink Floyd). Também preza o Roberto Carlos. Afinal de contas, “como dizia num site que viu na internet ‘Roberto Carlos está para o Brasil como o Elvis esteve para a América e os Rolling Stones estão para a Europa.’”

 

Existem ainda os vídeos, esse manancial de qualquer coisa que agora não m’a lembra. Há pelo menos um do Zé Lino, que, não esquecer!, praticou judo durante anos, a lutar com o Nuno. Não sei quem ganhou porque o judo, essencialmente, consiste em dois gajos abraçados a passar rasteiras um ao outro. E há vários vídeos com actuações ao vivo. Vi alguns. Muitos deles são em bailes de máscaras em que só para aí metade das pessoas é que estão mascaradas. Sobretudo a malta mai’nova. Os velhotes não se mascaram. Portanto, basicamente, estes vídeos do Zé Lino parecem o teledisco do “Thriller” se o Wacko Jacko tivesse gravado aquilo num lar de idosos. O resto são vídeos em cafés e associações. Caras de pessoas em cafés e associações. E o Zé Lino ao fundo. A fazer a sua arte.

Aproveitem. Casem mais cedo. Tenham um filho para o baptizar à pressa. Promovam um karaoke. Abram um bar. Organizem um evento. É que, caraças, o Zé Lino anuncia na secção “Orçamentos”: há uma nova campanha de descontos!

 

Uma fotografia N° 3

Par spyvia | Le 09 oct 2006 à 10:13 | Général | (Lu 290 fois)
Obedecer??! Como e porquê? Em nome de quê? Valores?! O que é isso?! Ahh... os seus interesses!! Assim está bem, fale-me com verdade. Mas sabe, deu na porta errada. É que no fundo sou um nostálgico do Maio de 68 e faço votos para os seus valores não possam medrar!
 

 

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