Ao novo ano

Par spyvia | Le 05 jan 2007 à 09:54 | Général | (Lu 366 fois)

 

Entre uma passagem e outra por este blog chegou o novo ano. Ainda não tinha tido oportunidade de aqui vir deixar umas linhas sobre o assunto, nem desejar aos amigos(as) que me dão o prazer da sua visita um excelente ano de 2007. Pois aqui está então: Feliz 2007 a todos!!!


Para variar um bocadinho este ano entrei de mansinho no novo ano que ainda agora nasceu, nada de grande exuberância ou alarido. Até me estranhei mas talvez a mudança de hábito também acarrete uma mudança na forma como o novo ano irá decorrer para os meus lados. A ver vamos... O importante é que festejei a entrada de 2007 com amor, com muito amor e espero que isso me continue a acompanhar pelo ano fora.


Ao Novo Ano apenas digo:

Vem, traz o que tiveres para dar.
Traz o bom, o mau e o mais ou menos.
Traz capacidade para lidar com as nuances da vida.
Traz clarividência para entender que a vida nem sempre é um mar de rosas mas nós temos o poder para lidar com isso.
Traz mais amor se isso for ainda possível.
Traz felicidade.
Traz saúde.
Traz tudo aquilo a que temos direito.
Pensando bem não tragas nada, não podemos ficar à espera que um acaso nos traga o que queremos.
Que o novo ano traga apenas a capacidade de continuarmos a lutar pela nossa felicidade. E isso já chega e muito...

 

Sensação Final...

Par spyvia | Le 04 jan 2007 à 14:33 | Général | (Lu 1976 fois)

 

Fala-se todos os dias aqui neste pequeno mas grande espaço, sim já viram bem a quantidade de artigos que aqui estão colocados, um gajo para chegar ao inicio do blog quase que fica com caimbrias nos dedos de tanto fazer (page down). Mas que raio estou eu para aqui a falar................

Ora aí está uma coisa que me dá uma SENSAÇÃO boa, comer!! Aliás desde as entradas até chegar ás sobremesas tudo marcha.......... TÂMARAS COM BACON, uhmmmmmmmm eu não vou falar de pratos mas sim de sobremesas!! há sobremesas para todos os gostos, são os Molotofes, as Lampreias, Farófias, Doce de Natas, Tartes, Arroz Doce.......bem há tantas mas tantas que é dificil enumerar todas. Mas a que mais gozo me dá mesmo comer são, morangos com chantily.....isso sim é uma boa.

 

O reflexo do cinzento

Par spyvia | Le 29 dé 2006 à 11:37 | Général | (Lu 347 fois)

 

Estou sentado. Pela janela, da janela vejo as outras pessoas todas. O mundo para mim não passa de movimentos mais bruscos, de cores e vultos rápidos que passam na minha visão periférica. Olho as pessoas no reflexo cinzento das janelas do metro. Absorve-me a música que oiço, a música que trago presa aos ouvidos, a música que me desliga da terra que me arranca as raízes que me eleva. Ou rebaixa. Mas que me faz desaparecer. A música tem esse efeito. E as pessoas que observo, sem vergonha e sem medo, cobardemente, através do reflexo dos vidros. Há um casal, um ele e uma ela, perfeitos desconhecidos, que no embalar dos carris, da passagem das rodas metálicas nas irregularidades das junções dos carris, adormece, quase-adormece, encostando a cabeça ao ombro um do outro.

Sei que houve momentos em que as luzes se tornarem mais fortes, quase ofuscantes, quase cegantes. Fecham-se os meus olhos nas estações, nas paragens. Há o movimento que a minha visão periférica detectaria, se estivesse de olhos abertos. Porque quando os abro, há uma nova quantidade de pessoas diferentes dentro da mesma carruagem. Ela, que quase-adormecia, levantou-se e saiu, sem anda dizer: ao lado dele sentou-se outro ele que bate freneticamente o pé no chão, ao ritmo imposto de uma música que debita dos seus headphones para o resto da carruagem ouvir. Sinto que a minha perna também marca uma batida qualquer; paro. Forço-me a parar. Não quero ser igual a ele. Não quero ser igual a ninguém, não sei o que não quero ser.
Fecho os olhos numa paragem, a seguinte. Poderia ser a anterior se o tempo andasse para trás, mas o tempo anda para frente. E o metropolitano também. As portas fecharam-se a um homem ajeita o acordeão aos ombros. Coloca os dedos nas teclas para começar os primeiros acordes.

Deixo de ouvir a música, a minha. Chego a mão à mochila e desligo-a, deixo-me invadir pela música que sai do fole roto, do fole colado com fita-adesiva castanha. Mas o homem toca com virtuosismo, o homem toca com felicidade uma melodia infinitamente triste. Lembrei-me de uma outra melodia que fala de melodias,
I'm caught in the flow of sound
And you're just some melody

e de toda a beleza daquele momento que acontecia ali. Porque no fundo, quase ninguém sentia a felicidade triste daquele homem. E eu sentia-a na melodia que me arrepiava, que me deixava com pele de galinha. Quis deixar no copo que trazia uma qualquer quantidade absurda de dinheiro que não tenho.

Ficou a melodia e uma felicidade triste tocada num acordeão de fole roto e colado com fita adesiva-castanha. Se lhe tivesse oferecido um acordeão novo, uma roupa menos andrajosa, um banho quente, uma lâmina para se barbear, tinha perdido o seu encanto. Ficou a melodia. E o sorriso de barba-mal-feita a agradecer as moedas.
O escuro passou e o reflexo cinzento também, dando lugar a uma transparência colorida. Ele saiu da carruagem e entrou noutra. Para passar a melodia e a felicidade triste tocada num acordeão de fole roto e colado com fita-adesiva.

 

Mitos.

Par spyvia | Le 27 dé 2006 à 11:46 | Général | (Lu 321 fois)

 

Segunda não comi a sopa toda. Não comi e pronto! E sabem que mais? Não me aconteceu absolutamente nada. Nada! Não veio um polícia buscar-me, não me cresceram pelos nas mãos e nem fiquei cego. Não só não me aconteceu nada disso, como ainda tive direito à sobremesa. Repeti e tudo. Várias vezes, até.

“E então?” – perguntam em uníssono os meus estimados leitores, ou pelo menos os que conseguiram ler isto tudo até aqui sem ficarem à rasca da vista, ou os que sabem que não vale a pena tentar arranjar ocupação melhor do que esta de ler blogs e isso. Pois bem, é que diz – o povo e gente assim dessa – que se não comermos a sopa toda, que nos acontecem calamidades trágicas, tragédias catastróficas e até mesmo catástrofes calamitosas, como aquelas que descrevi anteriormente ali para os lados do primeiro parágrafo.

A mais famosa das consequências de não comer a sopa até ao fim, e que ainda não tive oportunidade de referir, (aliás, até tive, mas quis criar suspense, ou “suspende” que é como o processador de texto que utilizo me sugere que escreva) é então vir o “Velho do Saco” e levar quem não comeu a sopa toda.

Mas ele segunda não veio e não me levou com ele. E agora pergunto: “Porquê isto?” Ora, sucede-se que segunda era Natal e o fulano de idade avançada que se encontra sempre na posse de um saco andava ocupado com outras coisas. Vamos mas é lá chamar as coisas pelo nome: ele andava ocupado com outras “ocupações”. Pois é, o “Velho do Saco” andava sim a fazer de Pai Natal. Não como muitos malandros que só nesta quadra é que se lembram de fazer alguma coisa que não procrastinar no sofá, e que vestem uma fatiota, tiram as barbas de molho, metem uma barba falsa e badalam uma sineta nas ruas de uma qualquer cidade, por exemplo. O “Velho do Saco” é na verdade, verdadinha, o verdadeiro “Pai Natal”. É verídico sim senhores, estas duas figuras míticas são apenas e somente, a mesma e uma só pessoa.

É por isso que não nos acontece nada se não comermos a sopa no Natal, que até, coincidentemente, nem faz parte da ementa da Consoada. O “Velho do Saco” cessa assim as suas funções habituais para andar a distribuir presentes bonitos às crianças que se portaram bem, e um pedaço de carvão às que se portaram mal. E isso de nos portarmos bem é mesmo o quê? Lá está: comer a sopa toda. E quem é que se encontra mais habilitado do que o “Velho do Saco” para saber quem é que se portou bem? As coincidências não se ficam por aqui, senão reparem: tanto o “Pai Natal” e o “Velho do Saco” são velhos e têm sacos. É a isto que nós chamamos em Economia, “economia de recursos”, pois utilizam-se determinadas capacidades, neste caso ser velho e andar com um saco, para desempenhar diferentes funções e aumentar a produtividade da coisa. Até porque não faria sentido nenhum estar a descontar para a segurança social e a ter outros encargos assim género só para ter um “Pai Natal” no activo um ou dois dias por ano. Deus, o gestor do Universo, sabe-a toda.

E o menino Jesus no meio disto tudo? Pois bem, todos nós sabemos que isto de celebrar o Natal é a forma que temos de dizer “Feliz Aniversário” ao Jesus. E como é o Seu aniversário, neste dia ele é o bebé, e tem de ser feita a Sua vontade. Tanto na Terra como no Céu. Antes era Ele que punha as prendas no sapatinho, mas fartou-se de estar sempre de serviço no dia de anos, e pediu ao Seu Pai para arranjar alguém para essa tarefa. Assim, o Seu Pai mandou um dos Seus empregados, o “Velho do Saco”, para tratar disso. Deu-lhe uma farda e tudo, para demonstrar que aquilo era uma tarefa mesmo importante e o velho não reclamar. Porque se há coisa que os velhos adoram mais do que reclamar, são fardas como deve ser e farpelas assim das jeitosas.

 

A Minha Táctica

Par spyvia | Le 20 dé 2006 à 14:46 | Général | (Lu 324 fois)

 

Começou mais uma vez vez a corrida de Natal. Milhares de pessoas a gastar as poupanças nas lojas e milhares lojistas a esfregar as mãos de contentes. Eu também comprei prendas, estimados leitores, mais por obrigação que propriamente por livre vontade. Houve uma altura na minha vida em que tentei dizer não a esta festa de consumo. Todos os anos é a mesma coisa, o que hei-de comprar para o tio Manel, mais uma gravata ou mais uma garrafa de whisky? ...uh...Vai mais uma gravata... porque a tia Zulmira não gosta que o tio Manel beba. E para tia Zulmira...vai pela 20ª vez uma caixa de chocolates?

Para mim isso tudo acabou, porque desde há um par de anos, só compro livros, DVDs e CDs, ou seja apenas cenas culturais. O tio Xavier só fez a terceira classe e mal sabe ler!? Não importa, porque um livro pode servir como um incentivo para começar a adquirir este hábito tão bom. Neste caso se a leitura for banda desenhada pode ajudar também. A Tia Gertrudes já não ouve bem e ofereceste um CD? Não faz mal, desde que seja Sepultura ou Napalm Death.

Nós, os compradores da prenda, também ganhamos com esta táctica. Sempre quiseste ter o triplo da Maria Callas ao vivo na La Scalla ou a caixa com a filmografia completa de Ingmar Bergman, mas não podias porque tinhas sempre de te conter por causa das tuas finanças? Agora já podes comprar, porque com uma só prenda fazes duas pessoas felizes. Pois claro, os DVDs, os CDs, os livros vejo, oiço e leio antes de oferecer. Isso é, no fundo, uma situação win–win, como se diz no jargão do mundo empresarial. Usufruo dos bens à pala e quem os recebe, fica logo a saber se o presente é bom ou mau.

 

Vi-te há dias, Rui!

Par spyvia | Le 19 dé 2006 à 13:05 | Général | (Lu 347 fois)

 

Vi-te há dias, Rui! Na livraria à procura do teu livro que não estava em nenhum destaque, nem expositor nem nada. Ninguém quis ouvir o que o Lobo Antunes disse sobre ti. Estavas sozinho e reconheci-te.

Ontem falei contigo Rui. Não me importava pá, o que estava a fazer. Compreendo o teu desatino, é uma chatice quando não nos reconhecem o trabalho. Voltavas a andar perdido pela livraria. Mas eu percebo porque conheço Rui; sei como é quando o fumo da fábrica está virado para a cidade e vai chover dentro de algumas horas. Sei como é essa ansiedade, uma tristeza e dolência que se apodera das pessoas e as cola no tempo. Avançam diacronicamente mas morrem sincronicamente. É assim a cidade do coveiro que se envenena e se junta aos tantos que enterrou. E da carolina que levou tantas facadas, mesmo ao lado da casa onde eu vivia, quando tinha cinco anos. É verdade Rui, ainda me lembro dessa merda.
Mas é triste quando fazemos o que tu fizeste. Não te levo a mal, mas fico triste. Pensei que fosses um gajo mais seguro, que te estivesses a cagar para essas intrigas de alcova. É tramada a insegurança e a dor de corno. Mas se te consola, eu ficava na mesma.
Um abraço,

Há vários dias que andava com isto dentro da minha cabeça. Numa livraria vemos imensas coisas, a maioria das quais preferíamos não ver. Esta foi uma das que se passou, com um escritor da minha terra natal, aquela das chaminés altas da fábrica de fazer rolhas. Da que está pronta a fechar.
Sou capaz, daqui a umas horas, de querer apagar e querer modificar. Talvez o faça ou talvez não. Mas para já Rui, dedico-te isto. Noutra altura talvez o trabalhe melhor e desenvolva. Porque mereces.

 

Rádio Spy: We are the world

Par spyvia | Le 15 dé 2006 à 10:49 | Général | (Lu 782 fois)

 

 Esta playlist tem, como seria de calcular, um tema. Um tema temático, até, com uma acentuada aura de assunto e uns pozinhos de motivo. Não me apetece é explicar qual é. Mas posso, desde já, adiantar que se tratam de canções e cantigas cantadas por cantores. Em várias línguas. 15, para ser mais exacto. Cada uma delas é uma versão de um célebre sucesso do mundo da canção ligeira e popular. Portanto, é favor ler esta merda toda e adivinhar de quem são as músicas originais. O primeiro a fazê-lo acertadamente ganha não levar um murro nas fuças com força. Andor com isso!


Lissette y Sophy - Eclipse Total del amor

Espanha não é só mamas e tapas. Mas não sei quem são estas pessoas. Diz que a Lissette é uma cantora peruana. Os únicos peruanos que conheço do mundo do espectáculo são aqueles índios que tocam Pan Pipe Moods na torre EIFFEL. Nunca dou nada a esses índios. Desvirtuaram completamente a ideia que tinha deles. Nem têm flechas, não querem escalpes, nem uma vez os vi a fazerem aquela coisa de bater com a palma da mão na boca e fazer aquele “uohuohuohuohuohuho” aos saltinhos. Se grito “Sigam o Kemosabe, vamos!” enquanto passo a correr por eles, limitam-se a ficar com aquele olhar de “moñedita, señor?”. Santa pachorra. Arriba! Coño, cabrones!


Patrizio Buanne - Alta Marea

Itália não é só mamas e massa. Não. Itália também é a casa do Papa. A julgar pela quantidade de visitas e amigos que tem, é de supor que o Papa tenha uma piscina do caraças. Ou então já tem a Playstation 3. O que eu gostava mesmo era de ser cozinheiro do Papa por um dia. Só para lhe poder perguntar “Papa, açorda?”. Ou então ser o desinfestador do Vaticano e, quando ele me ligasse, eu interrompia-o logo com a dúvida “Papa, formigas?”. Mas devia ser baratas. Não me ia ligar por causa de formigas. Digo eu, sei lá. Assim de longe, o Vaticano não me parece sítio para ter baratas. É seco, tem aragem com fartura, e até deve ser aspirado todos os dias ou, na pior das hipóteses, às terças e quintas. Formigas ainda é com’ò outro. Basta deixar um bombom esquecido em qualquer lado para aparecerem. Porco Dio! Vaffanculo!


Quietschboy - Kammermusik

Alemanha não é só mamas e salsichas. É também a terra dos maus do Indiana Jones. Há uns que até morrem derretidos porque abriram um baú e saíram de lá uns pirilampos muito grandes. Um era o Herr Flick do Alô Alô, que eu bem sei. Tal como nós, portugueses, também os alemães tiveram um baixinho de bigode que ficou famoso. Só que o deles não se chama Vitorino, nem tinha um irmão que se vira se, perto dele, dissermos à nossa filha pequena, que se chama Salomé, onde deve ir fazer a mijoca. Eu já fiz isto. A minha filha chama-se exactamente Salomé e eu, uma vez, na festa de angariação de fundos para um carro dos bombeiros novo para os voluntários de Almeirim, e porque reparei que ela se preparava para mijar no canto do pavilhão gimnodesportivo daquela simpática povoação, gritei “Sanita, Salomé!”. Quando me virei, estava o irmão do Vitorino a olhar. Tinha uma filhós na mão. Parecia ter muito óleo, mas ele lá sabe. Da tua vida sabes tu, Janita. Hundeschiss!


Svetlana Razina - Noch' bez muzhchiny

Rússia não é só mamas e solho-rei com saramago-maior. Rússia é frieiras, daquelas nas orelhas. Rússia é Derlei. Rússia é Estaline. Rússia é Rasputine. Rússia é o Portugal da Angola que é a Ucrânia. Terra de bolcheviques e mencheviques. Terra da Laika, que eu ainda hoje confundo com a Lassie sem ninguém reparar. A Laika foi o primeiro cão no espaço. A Lassie, por seu turno, foi o protótipo do inspector Max. Como se tratavam de outros tempos, a Lassie era apenas uma camponesa, ao passo que o Max já é um respeitado inspector da PJ e ladra ordens para o Médico de Família e aquele estrábico que tinha um anúncio no Metro em tronco nu sobre não sei quê. E é uma coincidência engraçada, o facto da Laika ser confundida com a Lassie, que, como se disse, é o protótipo do Max, que, claramente, é um nome se confunde com Marx, o inventor do comunismo. E adivinhem lá quem foi o bastião das comunices? A ex-União Soviética, actual Rússia. Nem mais, nem menos, que a terra da Laika. Chiça, que até me arrepio todo com estas coincidências. Yebat'-Kopat'!


Faye Wong - Moong Joong Yun

Olha a china. A China não é só mamas e arroz chau-chau. Pá, mora é aí muita gente. Tratem lá disso. Além do mais, para um país tão grande, já vai sendo tempo de inventarem mais qualquer coisa. Galinha com amêndoas é bom e o Ping Pong até dá para distrair, mas, quer dizer, n’é? Desde a pólvora que não fazem nadinha, caraças! E sim, descobrir a pólvora foi porreiro. Agora até se diz “eh pá, o gajo parecia que tinha descoberto a pólvora”. Por acaso nunca ouvi “descoberto”. As pessoas, o povo anónimo, a massa inculta e suja de polvilho; essa gente diz sempre “descobrido”. A praça de Tian'anmen é na China. É aquela praça onde um gajo quis bater num tanque. Mas o tanque até nem queria confusão. Desviou-se e tudo. Viu-se bem isso nas imagens. O gajo é que continuou a teimar e a mandar bocas. Ni shi hun dan!


Bollywood Freaks - Don’t stop ‘till you get to Bollywood

Índia não é só mamas e chamuças. Nunca fui à Índia. Mas hei-de ir, claro. E até já sei algumas coisas sobre a Índia. Não se pode beber água de lá. Nem ir à casa de banho. E, se se respirar pela boca, apanha-se tuberculose e/ou escorbuto. Apesar de tudo, imagino que lá, na Índia, as pessoas sejam felizes. Imagino que é um país onde toda a gente passa a vida a ensaiar coreografias em cima de comboios. É também o país para onde os índios foram viver, depois dos cowboys os terem expulso do faroeste. Agora andam em elefantes, em vez de cavalos, e adoram vacas, em vez de totens. Isso é que foi evoluir, hã, Índia? E eu que escolhia sempre o Ghandi no Street Fighter a pensar que coiso. Basicamente, era porque só sabia fazer o Yoga Fire e deixava-me num canto sempre a fazê-lo. Era mais fácil que o Ayuken do Ryu e do Ken, os Wham do Street Fighter. Os meus amigos diziam-me “foda-se, metes nojo com essa merda de ficar num canto a fazer sempre essa merda de fogo”, mas era só inveja porque eu ganhava. Chodu bhagat!


Mo Hiromi - Golfinger 99

Japão não é só mamas e sushi. Japão é também a pátria da pornografia mais mórbida do planeta. Mas alguém tinha que ser, n’é? Eu, pessoalmente, nem vejo nada de estranho na pornografia japonesa. Só disse aquilo porque li num livro e às vezes é de bom-tom citar coisas e assim. Ah, não foi num livro. Foi na TV Guia, num artigo de opinião do João Gobern. Ele estava a falar daqueles desenhos animados em que, todos os dias, uma planta gigante com tentáculos violava colegiais. É também no Japão que o meretrício é um curso superior. Sim, as Geishas. Cá também há um curso mais ao menos parecido, mas chama-se “casting para apresentadora/actriz”. O que, a meu ver, acaba por não dar muito boa imagem dos nipónicos é o facto de, aqui há coisa de uma quinzena de anos, 38 pessoas terem morrido no seguimento de uma erupção vulcânica. Pá, é ridículo. Este tipo de tragédia não faz sentido nos nossos tempos e dá uma imagem muito medieval do país afectado. Era como se, amanhã, cerca de uma centena de delegados comerciais da ANPE fossem chacinados por um exército de sarracenos a cavalo. É desajustado. Mocca-Mocca Su Su!


Alkistis Protopsalti - Ola afta pou fovamai

A Grécia não é só mamas e mousaka de vitela. A Grécia é, e isto é um facto reconhecido pela ONU e tudo, um país que devia ter acabado uns bons séculos antes de Cristo. E porquê? Essencialmente, para saírem em grande. Saírem quando eram os maiores, quando estavam no auge. Quando aquele pessoal que vestia cortinados e gostava muito de falar e inventar democracias e teoremas e assim. E coiso e isso. Mas era. Tinha-se acabado com a Grécia nessa altura e, hoje, os gregos eram um sucesso de marketing, que ninguém duvide disto. T-shirts, canecas, bonés. Assim um Ché Guevara em país. Aliás, era o que nós, portugueses, devíamos ter feito depois dos descobrimentos. Descobríamos o mundo e íamos embora. Ser outro país. Como Portugal já estávamos no topo e, a partir daí, seria sempre a descer. Gregos, afinal de contas, Aristóteles ou Demis Roussos? Hipócrates ou Katsouranis? Arquimedes ou Yanni? Teria sido tão simples. Tsoula!


Abbacadabra - Carabosse Super Show

França não é só mamas e aquelas porcarias de palitos de champanhe que ninguém gosta e que inexplicavelmente toda a gente tem em casa. A França é um país ridículo. Logo para começar, o hino deles é igual ao início do All you need is love, dos Beatles. E os Beatles nem são franceses, acho eu. Se ainda fosse igual ao início de uma música do Joe Dassin, ainda pronto, n’era? Assim, é apenas ridículo. É também a terra da Brigitte Bardot, actualmente uma empenhada activista dos direitos dos animais. Brigitte, pá, as pessoas pareciam ligar ao que tu dizias quando esse peito tinha bastante mais vigor. É que nem o meu tomate, o descaído, está nesse estado lastimável. Agora não passas de uma daquelas velhas que tem centenas de gatos vadios em casa e que vamos ver na TV um destes dias quando os vizinhos se queixarem do cheiro. E, já agora, se um dia quiserem desenterrar o Jim Morrisson ou o Oscar Wilde, para ver se eles foram soterrados com carcanhol nos bolsos, é só comprar uma pá e abalar para França. Mas, cuidado, que o Oscar era maricas e aquilo diz que se pega. Va te faire foutre!


Miracle - Boheemse Spijtoptant

A Holanda não é só mamas e salsichão com batata. Foi lá, na Holanda, que nasceu o inventor do Programa Erasmus que, em traços latos, consiste na oportunidade de estudantes de diversos países europeus se irem comer num outro país europeu qualquer.
Em 1667, os vacões dos holandeses trocaram Nova Iorque pelo Suriname. Esta troca é quase tão má como a dum vizinho meu que, em 1990, trocou o cromo do Gascoigne com o do Ally McCoist. O do Ally McCoist calhava em todas as saquetas. E o gajo trocou. De referir ainda que era um daqueles gajos que depois encomendava os cromos que lhe faltavam. Enfim, um batoteiro. Descansem, que levou que chegue no recreio. Hoje é maníaco-depressivo e toma 50 comprimidos por dia, mas duvido que tenha sido por isso. Eu não tenho remorsos e ainda hoje lhe dou caldos por causa da batotice dos cromos. E, claro, por causa da pior troca de sempre a seguir à de Nova Iorque pelo Suriname. A Holanda é ainda o país de mais não sei quê, mas agora não m’a lembra e tenho não sei quê para fumar. Dizem que fumar isto afecta a… ai, como é que se chama aquilo… aquela coisa de não nos lembrarmos das cenas e assim, mas eu sou contra. Aliás, sou… eu? Sei lá, às vezes parece que… barulhos e tal. Kontneuker!


Vopli Vidopliassova - Halyu, prykhod

Ucrânia não é só mamas e zelenyisyr. Tenho um carinho especial por ucranianos. São as únicas pessoas que, como eu, arranjam esquemas para não ter que comprar os sacos do Leader Price. É uma questão de princípio, porra. Comprar sacos é ridículo. Qualquer dia, começam-nos a dizer “Bom dia, quer respirar aqui dentro? Então são 30 cêntimos, se faz favor.” Bem se lixam, que eu aguento um minuto e tal sem respirar. Entro a correr e ponho-me a andar dali para fora num ápice. Sim, num ápice! A verdade é que se cria, entre mim e os ucranianos, uma solidariedade muda. Há ali uma energia que nos une quando estamos a meter as compras na mochila ou em sacos de outros supermercados que trouxemos de casa. Se calhar por isso, sonho em ir ao Leader Price de Kiev. Não sei, é uma coisa cá minha. É como aquela coisa dos israelitas quererem ir todos a Jerusalém. Por falar em judeus, ficam a saber que a Golda Meir nasceu exactamente em Kiev. Aquele incidente de Chernobyl também foi na Ucrânia. Deve ter sido lixado. Uma vez ardeu aqui uma fábrica de esferovite ao pé de casa e aquilo foi um cheiro que até fazia dor de cabeça. Mas, claro, só Chernobyl é que teve publicidade. É só politiquices. Admito que um incidente que faz nascer pessoas com duas cabeças e peixes com asas tenha muito mais impacto visual. Mas, caramba, já alguém cheirou toneladas de esferovite queimado? Ainda hoje tenho pesadelos com aquele cheiro. Kholera v dupi!


Elakelaiset - Ellan Humpalla

Finlândia não é só mamas e kalakukko. É a casa do Pai Natal e dos duendes que fazem os brinquedos. Ser anão é lixado. Ou trabalham na loja de brinquedos do Pai Natal, que depois, feito parvo, os oferece. Logo, não há retorno financeiro e, claro, não há salário para os duendes. Ou então trabalham numa mina e “aquecem” gajas para príncipes. Sempre me fez confusão é o Pai Natal parecer muito mais velho que o Avô Cantigas. Parece que fazem questão de confundir as crianças. Um pai mais velho que um avô? Depois admiram-se que se metam todos na droga e na gandulagem. Independentemente disso, a Finlândia é ainda o país anfitrião do Campeonato do Mundo de Bofetões em Mosquitos e do Campeonato do Mundo do Carregamento de Mulher. O campeão mundial desta primeira modalidade deve ser um qualquer país do Médio Oriente. Se fosse de moscas, qualquer país Africano era candidato. Na Finlândia têm um provérbio que diz que “se comeres bolor, ficas a cantar bem”. O bolor é a cenoura de lá. E este “ficas a cantar bem” é o nosso “ficas com os olhos bonitos”. É tudo um grande esquema para comermos o que eles querem! Syö paskaa!


Sakarin BoonpitKotmorn Yoop Yap

A Tailândia não é só mamas e khao mangal. Diz que o nome completo da cidade de Bangkok é o maior do planeta, ostentando umas simpáticas 163 letras. Complicado de dizer com um só arroto, portanto. Ah, e também deve ser lixado fazer uma composição sobre a visita de estudo a Bangkok. Quem perde, está visto, é a actividade turística da cidade. A Tailândia é o sítio ideal para quem aprecia fenómenos culturais como a transexualidade, a pedofilia e o tráfico de órgãos. Mas órgãos tipo fígados e assim. Não é pianos. É natural que a confusão ocorra. Quando era mais novo, também confundia. E havia aquele senhor da gabardina que, no Parque, perguntava aos miúdos se queriam tocar no órgão dele. Ele também confundia. Segundo o calendário tailandês, eles estão no ano 2548, mas, estranhamente, não têm naves, nem sequer Chewbaccas. Anda um gajo a ver filmes como aquele “2001: Odisseia no Espaço” e não sei o quê mais, a confiar nas pessoas, e depois afinal nem em 2548 parece que há naves. Cinco anos de atraso ainda se toleravam, mas, c’um raio, 543? É brincar com quem trabalha, francamente! Farang keenohk!


CarolaHej Mickey

A Suécia não é só mamas e almôndegas. Vinte por cento de todos os acidentes rodoviários em solo sueco estão directamente relacionados com um alce. Não sei se é sempre o mesmo. É possível. Estruturando um paralelismo ímpar, no que à sinistralidade rodoviária diz respeito, pode-se dizer que o alce está para os suecos como o álcool está para nós, portugueses. Acho que prefiro beber uma cerveja que um alce. Por outro lado, deve ser mais porreiro atirar pedras a um alce. Bem, ambos têm qualidades. Parece também que, no Natal, cada sueco come um quilo de presunto. Será que os ABBA comem quatro quilos de presunto? Não necessariamente, aprendizes. Porque isto é uma estatística. Eu explico. Por exemplo, imaginemos que o Bergman come dois quilos de presunto, o Magnusson come quatro quilos e o gordo que toca órgão nos ABBA come outro. Ora, com base nesta amostra, a média de presunto que cada sueco come é, de facto, um quilo. Mas, como se percebeu, o ABBA que toca guitarra, a Agneta e a morena não comem presunto nenhum. Será, então, deontologicamente justo afirmar-se que os ABBA, enquanto vectores de uma essência sueca com diversas incongruências a nível metafísico, já para não falar nas barbaridades que toda esta teoria atropela a nível idiossincrático, enfardam quatro quilos de presunto em cada Natal? Não sei, porque entretanto já me perdi, mas há dias vi o Magnusson no Boulevard St. Germain e o gajo está bem mais adiposo. Aproximei-me dele, para ver se ele cheirava a presunto e assim, e sabem o que é que aconteceu? Den fete jäveln slog mig!


Onda ChocAmores Desencontrados

Portugal não é só mamas e bacalhau. E, para fechar em beleza, nada melhor que uma música dos Onda Choc. Se isto fosse uma refeição, os Onda Choc eram o palito. Mas um palito quando estamos cheios de comida entre os dentes. Bocadinhos daqueles mesmo fininhos. Fininhos, pá. Aqueles fiozinhos de carne ou bacalhau, ò meus. Assim mais lixados de tirar, mesmo com a chave do correio ou a ponta do BI. Daqueles bocados que estamos tão aflitinhos para os tirar, mas tão aflitinhos para os tirar, que nem adoptamos aquela postura ridícula, a única socialmente aceite em público, em que parecemos que estamos a contar um segredo ao palito. Não! É ali, tudo aberto. Em liberdade. Em desespero. É assim que um palito sabe bem. É assim que se valoriza um palito! E no manjar dos Deuses que foi esta playlist, os Onda Choc são esse palito! Pá, e a quantidade de nomes que se dizem nesta música? Foda-se, c’uma porra!

 

Ecce Homo

Par spyvia | Le 14 dé 2006 à 13:54 | Général | (Lu 358 fois)

Também há notícias boas do mundo da música. Uma delas é o disco de homenagem a Serge Gainsbourg. Para os leitores que não são familiarizados com esse nome, Gainsbourg é um dos grandes ícones da música Francesa. Um verdadeiro génio que nadou como um peixe nas aguas do jazz, chanson, rock, pop e reggae; isso muitas vezes de forma polémica. Ele que já tinha sido homenageado de certa forma pelo Mick Harvey (musico dos Bad Seeds do Nick Cave e irmão da P.J.), pelos Trash Palace e pela colectânea electrónica “I love Serge”, mas não de forma tão bem conseguida. Outra vantagem dessa colectânea nova é que todas letras são cantadas em Inglês, o que é bom, para quem não domina muito bem a língua de Molière.
Ver a lista dos artistas que colaboraram neste projecto, dá para ter uma pequena ideia da sua importância na música popular:
Portishead (de volta após longo hiato de mais de 8 anos), Michael Stipe, Tricky, Marc Almond (dos Soft Cell),Placebo, Marianne Faithfull, Sly and Robbie, Carla Bruni e Jarvis Cocker. Gosto de quase todas as versões (a dos Placebo é que não), mas a versão de “Je suis venu te dire que je m'en vais” do regressado (que saudades dos Pulp) Jarvis Cocker e Kid Loco é verdadeiramente fabulastica. Aconselho vivamente, a quem gostou, a ouvir o proprio Gainsbourg e para começar nada melhor que um "Best of" que abrange toda a sua longa carreira.

Para finalizar gostava de dizer ao crítico do Diário de Noticias, que achava a versão da Carla Bruni má por ser tão simples, o seguinte: “vai plantar batatas!”

 

Hoje acordei com a mosca.

Par spyvia | Le 14 dé 2006 à 09:28 | Général | (Lu 355 fois)

 

Hoje acordei com a mosca. Não foi com a mosca do sono, nem com uma daquelas que alguns homens usam entre o lábio inferior e o queixo e que são feitas de barba. Odeio essas. Aliás, odeio todas as barbas que não sejam a de três dias ou barba assim p'r'ó crescida. Nem percebo sequer de onde vêm os nomes de tais opções capilares... mosca, pêra e Suiça!? Pá, são ridículos! Mas que raio estavam os gajos ordem dos barbeiros a fazer naquele primeiro congresso em que ficaram de definir a deontologia profissional, o nome das ferramentas e os estilos de barba? Cá para mim só podiam estar a fazer uma coisa: jogar ao stop. Em que outra altura é que alguém escreve num papel um nome de um animal, dum fruto e dum país? Só mesmo num jogo do stop. Seria bem mais fixe se tivessem jogado à Batalha Naval. Quem é que não gostaria ter um estilo de barba chamado "Torpedo", "Porta-Aviões" ou "Submarino"? Para começar, as mulheres...

Voltemos então à mosca. Acordou-me, foi defecar para o vidro da janela e ficou a olhar para mim, enquanto esfregava as mãos, com aquele ar de quem está a fazer porcaria só para me provocar. Lá tive eu que ir lavar os vidros. O meu pai só me deu dois conselhos na vida e ambos, curiosamente, envolviam jornal. O primeiro era que se algum dia eu dormisse na rua, que me embrulhasse em jornal por causa do frio. O outro enunciava as qualidades do papel de jornal na limpeza de vidros.

Posto isto, comecei a interrogar-me acerca da razão das moscas gostarem tanto de sarapintar tudo quanto é sítio e portanto são raras nesta época. Mas como as únicas coisas que sei acerca de moscas foram aprendidas no filme "A Mosca", não concluí grande coisa e lá fui chamar um cidadão sénior, daqueles que já por diversas vezes caiu num poço de sabedoria popular e quase se afogava em provérbios. Disse-me que agora "as moscas estão moles". Arre gaita! - pensei cá para mim - moles também estão os ovos e não é por isso que me vêm cá a casa cagar as paredes e os vidros.

 

Hoje estou assim...

Par spyvia | Le 13 dé 2006 à 10:30 | Général | (Lu 357 fois)

 

A tradução dos perdidos

Par spyvia | Le 12 dé 2006 à 17:34 | Général | (Lu 286 fois)

 

Corria. Não era bem correr, era um passo apressado no corredor da casa de banho. Coçava o nariz e esperava por alguém. Corria e tinha tiques, como se não coubesse dentro do próprio corpo. Foi nessa altura que subi ao andar de cima com o pretexto de ver alguém que não conhecia
(Vou ali já venho)Wink
ou
(Vou ver se encontro alguém que conheço)Smile
mas acabou por ter que ser
“Vou para casa que amanhã trabalho.”
Corria no corredor da casa de banho de um lado para o outro e não sossegou enquanto não saiu o outro que coçava a cabeça e o nariz e não controlava os movimentos dos braços.
(Envelheci mais um pouco em vez de rcescer. Não sei porquê a noite passada
em que descias a Seine e fui esperar-te na Marne
senti que uma pedrinha tinha entrado dentro de mim.)
Não uma pedrinha, um calhau, foda-se. E dos grandes.

Se eu quisesse encontrava neste texto muitas pessoas. Duas, pelo menos. Mais eu, que o escrevo e que ouço vozes a falar e sussurrar através dele.
É verdade rui, agora que penso nisso, estás aqui mesmo em grande! E eu que nunca escrevo asneiras, até tenho vontade de introduzir mais umas quantas, só pelas que dizia no campo de básquete. Mas na escola. Que se lixem os betinhos do liceu, panascas!
Mas deixa lá isso Rui, o que escreveste até escapa. É engraçado, mas isso é só a opinião de uma pessoa que mal sabe escrever e articular as palavras. A mim bastam-me as chaminés e a tasca do Zé Bebé para beber minis a cinquenta cêntimos
(Se ainda as há
Atã e nã houvera d’haver?)Cool
mas esta conversa tem que ficar adiada. Porque eu ainda sou pequeno a querer ter opiniões dos grandes. Sou tão pequeno e dou com cada passo que é raro não me espalhar. Por incrível que pareça Rui, ainda tenho feridas a infectar como o Perneta. Mas noutra altura, quando venderes e eu tiver algo para vender.

Não uma pedrinha, um calhau, foda-se. E dos grandes.
Não sei como foi, mas tinham entrado à vez num cubículo da casa de banho enquanto eu fazia fila no urinol
(lembrei-me do Duschamps)
sempre pensei que se iam pôr os dois no cubículo da casa de banho.
Mas deixa isso que acabei em casa, sozinho a onanizar sonhos e exorcizar demónios e a desejar chamar-me Charlotte porque temos imenso em comum,
“I'm under Evelyn Waugh.”

 

Simplicidade

Par spyvia | Le 11 dé 2006 à 11:34 | Général | (Lu 287 fois)

 

Se as coisas são tão simples quando somos crianças, porque complicamos? Eu cá por mim continuava sempre assim com poucas palavras e acabava com grande parte dos mal-entendidos...
"Nina vai uma rapidinha? SIM ou NÃO" há algum problema em simplificar?!?!!??

 

Rémedios Caseiros?!

Par spyvia | Le 11 dé 2006 à 09:38 | Général | (Lu 296 fois)

 

O médico, depois de ver a história clínica do paciente, pergunta:

- Fuma?
- Pouco.
- Faz bem. Quanto menos melhor.
- Bebe?
- Pouco.
- Ainda bem.
- Pratica desporto?
- Não posso. Tenho lesões antigas.
- Pois é pena.E sexo, pratica com frequência?
- Muito pouco.
- Isso é que não pode ser. Se não pratica desporto, deve compensar fazendo muito sexo. Vá para casa e pense bem nisso...
Ele vai para casa, conta à mulher o que o médico lhe disse e, de seguida, vai tomar um banho.A mulher, esperançosa, enfeita-se, perfuma-se, põe o seu melhor baby-doll e fica à espera dele, numa pose toda provocante.
Ele sai do banho, perfuma-se cuidadosamente, começa a vestir-se, e a mulher, surpreendida, pergunta:
- Aonde é que vais?
- Não ouviste o que o médico me disse?
- Sim, por isso mesmo estou aqui, já prontinha para... Tu sabes!
Então ele responde:
- Ah, Francisca, Francisca, lá estás tu outra vez com a mania dos remédios caseiros...

 

Alerta esbranquiçado

Par spyvia | Le 08 dé 2006 à 13:28 | Général | (Lu 290 fois)

 

Foi preciso hoje para partir um chapéu de chuva. Quer dizer, partir, partir, não foi bem, que eu não peguei nele e o desfiz na cabeça de qualquer figura imaginária que de imaginação tem pouco. Pois, não tive essa maravilhosa terapia anti-stress que apesar de programada, não está ainda agendada. Foi mais partir quando pegava nele na vã tentativa de evitar que a chuva de sexta feira me ensopasse até aos ossos e eis que vem uma daquelas rabanadas de vento que vira tudo ao contrário, incluindo eu próprio e mais três ou quatro pessoas que também andavam pela rua a desafiar a sorte e a pensar que a chuva só molha aos outros. E no meio do vendaval, gajo que é gajo agarra-se ao cabo do chapéu como se não houvesse amanhã nem mais nada para agarrar, só para ver se o dito não foge e ainda nos leva atrás. E eis que vê saltar uma, duas, três, quatro varetas e fica a pensar "porra, porra, mas tinha de ser logo hoje???". Pois, parece que sim. Acto contínuo, embrulha-se o chapéu no que resta, procura-se o caixote do lixo mais próximo, e siga de puxar a gola do casaco para cima e dar aquela imagem do gajo solitário à chuva pela rua fora, que até seria sexy não fosse a quantidade de água que nos cai pela testa abaixo como se fossemos um tonis suados com problemas hormonais no pico do verão. Ele foi chapéus, rails, árvores, meias, camisolas, tudo ao mesmo tempo e como se não houvesse amanhã. Faltei voar eu, mas foi por pouco. Tão pouco que acho mesmo que alguma coisa deve ter voado e eu ainda não dei por isso. Deve ter sido um bocado da mayonesse ou assim.
Ai as monções, as monções...

 

f,world

Par spyvia | Le 06 dé 2006 à 14:13 | Général | (Lu 338 fois)

Esta voz, não Esta voz, não é a minha voz. Não é a minha voz, pois teria que a reconhecer. Não sou eu. Que som é este? Não o reconheço e portanto não me pertence. No entanto, sou eu embaraçado com palavras que não me são estranhas mas difíceis. Esta é a última de nove tentativas e, mesmo assim, com erros. As palavras que estou a ler são as que seguem:
Comme il faisait une chaleur de 33 degrés, le boulevard Bourdon se trouvait absolument désert.
Plus bas le canal Saint-Martin, fermé par les deux écluses, étalait en ligne droite son eau couleur d'encre. Il y avait au milieu un bateau plein de bois, et sur la berge deux rangs de barriques.
Au delà du canal, entre les maisons que séparent des chantiers le grand ciel pur se découpait en plaques d'outremer, et sous la réverbération du soleil, les façades blanches, les toits d'ardoises, les quais de granit éblouissaient. Une rumeur confuse montait du loin dans l'atmosphère tiède; et tout semblait engourdi par le désoeuvrement du dimanche et la tristesse des jours d'été.
Deux hommes parurent.
L'un venait de la Bastille, l'autre du Jardin des Plantes. Le plus grand, vêtu de toile, marchait le chapeau en arrière, le gilet déboutonné et sa cravate à la main. Le plus petit, dont le corps disparaissait dans une redingote marron, baissait la tête sous une casquette à visière pointue.
Quand ils furent arrivés au milieu du boulevard, ils s'assirent à la même minute, sur le même banc.
Pour s'essuyer le front, ils retirèrent leurs coiffures, que chacun posa près de soi ; et le petit homme aperçut écrit dans le chapeau de son voisin : Bouvard ; pendant que celui-ci distinguait aisément dans la casquette du particulier en redingote le mot : Pécuchet.
- «Tiens !» dit-il « nous avons eu la même idée, celle d'inscrire notre nom dans nos couvre-chefs.»
- « Mon Dieu, oui ! on pourrait prendre le mien à mon bureau ! »

O meu francês, que imaginava despachado e escorreito, enrola-se, aqui e ali, nas palavras de Flaubert, «
Bouvard et Pécuchet», um dos meus livros favoritos. A história de dois patetas que têm em comum o facto de estarem juntos no disparate do pensar vazio bla bla bla sobre o pensar, a existência, a poesia, a filosofia, os versos que os salvam e que dois cretinos! A futilidade, a toleima, a vaidade, oh, a vaidade!, o disparate daqueles dois sou eu quando me perco, perco tempo, quando deixo de me ver para descobrir nos outros tudo o que me faz rir dos outros e nunca de mim. Minto se afirmar que gozo comigo, ou antes, gozo sim, mas apenas nas minhas condições e isso é batota. Sim, tenho bons motivos para gozar o prato quando este se me apresenta, cheio, a transbordar de anedotas de bouvards e pécuchets com os seus chapéus iguais, defendendo a cabotinice um do outro e, afinal, odiando-se mutuamente. Por exemplo, o exercício de ouvir a minha voz, contrariamente ao que me pareceu no início, é menos divertido e torna-me ainda mais vulnerável. Se pudesse ouvir-me, como estou a ouvir agora, evitava, por certo, inúmeras gabarolices. Mas quem seria eu sem essa valiosa e descontrolada parte de mim? Esse lado que agora não escondo. A fraqueza, a insegurança, tudo está na minha voz, hesitante, aqui e ali, neste francês que sendo a minha actual língua não é, de todo, o som que não me surpreende. Pensava que era, apesar de tudo, menos engasgado a dizer boulevard e boulevard bourdon e redingote. Contudo, não sei se gostaria de me ouvir a ler alto a tradução portuguesa deste notável retrato da estupidez humana apenas porque estas palavras foram escritas para embatucar o leitor. Não é fácil fazer as vozes destes dois idiotas que se dão bem apenas porque reconhecem, um no outro, a invenção da água fria explicada com pompa, circunstância, muita moral, carradas de moral e ironia, claro. Bouvard e Pécuchet sabem, de saber, que são irónicos, sarcásticos, críticos mas, infelizmente, estão presos ao que Flaubert quis para os dois poltrões, um assim mais alto e o outro para o baixote, a representação da frivolidade ou como poderia dizer Pécuchet: «todos uns inanes!»; enquanto Bouvard acrescentaria: «todos, menos nós.»é

 

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