Toques de conversa N°1

Par spyvia | Le 13 2008 à 10:02 | Général | (Lu 257 fois)

(tentando abrir uma garrafa de vinho na cozinha dela)

Eu - Onde é que guardas o saca-rolhas?
Ela (gritando da sala) - Na cozinha.
Eu - Mas em que gaveta? Não encontro...
Ela - Numa das gavetas da cozinha.
Eu - Não podes vir aqui ajudar-me?
Ela - Estou a ver televisão.

 

Crónicas do Verão. O Inverno das memórias...

Par spyvia | Le 07 2008 à 12:17 | Général | (Lu 274 fois)

 

Está implícito que o calor, e a proximidade do mar são elementos disfuncionais em matéria do comportamento humano. Digamos em palavras simples que os humanos ficam muito mais estúpidos por épocas do Verão e se esta estação dos calores e dos odores for passada a chapinhar na água, é então possível que essa estupidez atinja valores elevados numa escala informal que avalia a estupidez humana, também conhecida por vida social.

Acontece que nos homens a coisa é bem mais grave do que uma benevolente primeira observação se possa concluir. Além da já mencionada estupidez, um homem no Verão à beira mar fica também imbecil. Equivale isto a dizer que é bem possível que por estes dias de calor um homem não só seja acometido de um elevado nível de contaminação de estupidez e se “apaixone”, como ligue isso com um apreciável grau de imbecilidade que o leve a tomar a iniciativa de concretizar esse “apaixonamento”!

É sabido que ao homem está associada uma capacidade quase imbatível para se apaixonar. Um homem na “flor da idade” (sempre adorei esta masculina expressão) consegue proezas significativas tais como apaixonar-se em média 5 vezes por noite, e quase outras tantas por dia. Mas se nos restantes meses essa capacidade é reprimida por uma certa frívola sensatez, no Verão a sensatez é substituída pela mais bárbara e trágica coragem leviana, que muitas das vezes pode confundir-se com uma razoável promiscuidade, mas que para as pessoas mais observadoras não deixará nunca de ser uma insólita imbecilidade.

Então anda-se um ano inteiro a defender-se dessa enfermidade social que é a paixão ainda que travestida de amor, crendo-nos absolutamente imunes a qualquer sentimento mais fofo, e num Verão qualquer, só porque está calor enfiamo-nos na toalha de praia da primeira flausina que se nos atravessa à frente, só porque ela anda com os artelhos ao léu?

È certo que é muito provável que na noite a seguir se troque de toalha, ou que se procure um saco cama diferente, ou que se acabe na caravana mais artsy da mais destravada surfista, e que no fim da estação veraneante consigamos confortavelmente confundir os impronunciáveis nomes e as nacionalidades de todas as pessoas por quem num momento julgámos acreditar nutrir um sentimento especial que poderia durar cerca de 3 horas de sedução e 2 minutos de acção, mais coisa menos coisa, mas a mancha negra ficará sempre lá. Um dia, no Inverno da nossa terceira idade, carregaremos a memória de que um dia, turvados pelo néctar etílico, fomos capazes de ter a coragem de abordar uma desconhecida (ou duas… ou três… ou 6) e dizer-lhes coisas que as fizessem sentir especiais, só porque nós queríamos ser especiais, e não há nada mais imbecil do que isso. Precisar de outros para nos sentirmos bem connosco… mesmo que seja só no Verão!?

Por isso, devem os homens decentes assegurar um lugar cativo no sofá para este Verão. Não haverão convites, nem palavras certas ditas entre um olhar sedutor e um gesto atractivo, nem danças sensuais, nem toques leves… nem coisinhas fofas como flores das dunas no cabelo, nem estrelas-do-mar.
Além disso as estrelas-do-mar cheiram a peixe e as flores das dunas não são assim tão bonitas.

Por outro lado ainda fica por explicar a razão pela qual as mulheres ficam muito mais atraentes vestidas de que com um biquíni de gosto duvidoso, e porque razão o grau de exigência decresce com o passar da noite… mas isso são conversas para os próximos dias.

 

Começar com o pé direito

Par spyvia | Le 06 2008 à 12:59 | Général | (Lu 248 fois)

Viver é movimento. Quem está parado, respira mas não vive (quem disse que as duas coisas são inseparáveis?)

Entro de férias com o pé direito. E depois com o esquerdo. E o direito. E o esquerdo. Taí uma receita simples para quem deseja a felicidade prometida. Não espere sentado senão ela não passa disso, uma promessa.

Ande. Caminhe. Corra. Viaje.

Viajar para dentro ou viajar para fora. Tanto faz. Viajar é transitar, é trocar, é ver, sentir, comer, cheirar o novo, o outro, o diferente.

Viajar não é simples. Não basta pegar um comboio, um carro, um avião. Não, mil vezes não. Viajar não é só tirar a bunda cadeira. Não adianta fazer isso se não tirar a bunda da cabeça. Se não por o cérebro a funcionar, se não liberar o sentidos.

Se não sair nunca do casulo, sempre será larva, nunca borboleta.

Estive o último mês viajando. Primeiro no Chile (de Santiago até aquele lugar onde Judas encontrou a bota, em plena Patagónia). Depois Argentina e ainda pelo Sul do Brasil até, por fim, passar pelo Rio de Janeiro.

Foi uma viagem estranha, porém bacana. Fui sozinho, como todas as boas viagens sempre acabam por ser (mesmo aquelas em que vai bem acompanhado). Deu para reflectir sobre algumas coisas, tomar umas notas mentais, fazer um balanço da vida e, noves fora, chegar a brilhantes inconclusões (o corrector de texto do computador avisa que esta palavra não existe, dane-se o corrector, quem sabe do que escrevo sou eu).

Os pontos altos foram vários e plenamente recomendáveis para quem um dia quiser conferir pessoalmente.

Não vai dar para esquecer o fim de tarde em Porto Varas, o Sol rosa/vermelho a descer como uma bola no lago, com o vulcão Osorno como pano de fundo.

Fim de tarde só comparável com um dos três ou quatro que vi em Ipanema. Com o diferencial da banda sonora ser de alguns turistas e muitos cariocas a brindar em plena praia ao Sol, ao Rio, à natureza. Aquela cidade tem dessas coisas. As pessoas perdem a noção do ridículo e batem palmas até para o horizonte. Melhor assim. Bem melhor, aliás.

Em Bariloche, descobri o prazer de nadar às 11 da noite numa piscina aquecida ao ar livre. Temperatura da água: 35º. Temperatura exterior: 10º. Resultado: a água a deitar fumo, só a cabeça do lado de fora e um belo visual para um fantástico lago patagónico.

Em Florianópolis, foi interessante rever uma cidade (na verdade, um ilha).

No mais, um dos pontos altos foi poder ver numa sessão de cinema ao meio-dia, ou seja, entre praias, ao documentário “Vinicius”, que conta de maneira intimista a biografia do poeta Vinicius de Moraes. Lindo filme e também bela lição de vida.

Vinicius foi um poeta atípico, que começou a escrever para as elites e depois resolveu dedicar-se ao povo. Passou a vida a inventar e reinventar-se. Fugia do sucesso fácil. Estava sempre onde ninguém imaginava poderia estar. Pagou por isso. Foi menos reconhecido quando vivo do que deveria. Mas a sua obra continua aí, lida e cantada como se tivesse sido feita ontem, ou melhor, hoje.

Como por exemplo, o texto que vem a seguir que fala justamente sobre o que devemos fazer no começo de tudo e que dedico a todos vocês:

Amigos Meus

Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restam se puseram mais tristes; deixam-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, lembrando os ingratos, os ecos de sua passagem; lembrando que irão morrer também e cometer a mesma ingratidão.

Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus! - porque a Velha andou solta este último Bissexto e daqui a quatro anos sobrevirá mais um no Tempo e alguns dentre vós - eu próprio, quem sabe? - de tanto pensar na Última Viagem já estarão preparando os biscoitos para ela.

Eu me havia prometido não entrar este ano em curso - quando se comemora o 1964º aniversário de um judeu que acreditava na Igualdade e na justiça - de humor macabro ou ânimo pessimista. Anda tão coriácea esta República, tão difícil a vida, tão caros os géneros, tão barato o amor que - pombas! - não há de ser a mim que hão de chamar ave de agouro.

Eu creio, malgrado tudo, na vida generosa que está por aí; creio no amor e na amizade; nas mulheres em geral e na minha em particular; nas árvores ao sol e no canto da juriti; no uísque legítimo e na eficácia da aspirina contra os resfriados comuns. Sou um crente - e por que não o ser? A fé desentope as artérias; a descrença é que dá câncer.

Pelo bem que me quereis, amigos meus, não vos deixeis morrer.

Comprai vossas varas, vossos anzóis, vossos molinetes, e andai à Barra em vossos fuscas a pescar, a pescar, amigos meus! - que se for para engodar a isca da morte, eu vos perdoarei de estardes matando peixinhos que não vos fizeram mal algum.

Muni-vos também de bons cajados e perlustrai montanhas, parando para observar os gordos besouros a sugar o mel das flores inocentes, que desmaiam de prazer e logo renascem mais vivas, relubrificadas pela seiva da terra.

Parai diante dos Véus-de-Noiva que se despencam virginais, dos altos rios, e ride ao vos sentirdes borrifados pelas brancas águas iluminadas pelo sol da serra. Respirai fundo, três vezes o cheiro dos eucaliptos, a exsudar saúde, e depois ponde-vos a andar, para frente e para cima, até vos sentirdes levemente taquicárdicos. Tomai então uma ducha fria e almoçai boa comida roceira, bem calçada por pirão de milho.

O milho era o sustentáculo das civilizações índias do Pacífico, e possuía status divino, não vos esqueçais! Não abuseis da carne de porco, nem dos ovos, nem das frituras, nem das massas. Mantende, se tiverdes mais de cinqüenta anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos. Fazei de seis em seis meses um check-up para ver como andam vossas artérias, vosso coração, vosso fígado.

E amai, amigos meus! Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres, este, sagrado, do amor.

Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém.

Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.

Mas sobretudo não morrais, amigos meus!

 

Vontades.

Par spyvia | Le 01 2008 à 12:51 | Général | (Lu 279 fois)

Até vinha cheio de boa vontade.
De escrever, entenda-se.
Mas de vontades e boas, está o Inferno cheio.
E a moleza que não me larga, Môssieu lânguido e arrastado da cadeira para a espreguiçadeira, para a direita a esteira, à esquerda a toalha de pontas ressequidas, o cheiro a sal e tal...
Já volto.
Vou ali só dar um mergulho.

 

O medíocre

Par spyvia | Le 29 mar 2008 à 12:51 | Général | (Lu 330 fois)
E, por fim, a questão ergue-se: onde é que a produção e o consumo me trouxeram
(o reconhecimento da ansiedade da influência e da ausência de qualidade pelo menos ao ponto pérola que desejava)
? Ao reconhecimento da minha mediocridade. Faço tudo para me provar errado e continuo a produzir. Mas não tenho a certeza se há razões ainda para ler e escrever, porque qualquer um desses actos será repetidamente sempre o reconhecimento da minha ausência de valor
.
Mas faço tudo para me provar errado já disse
, leio Platão e Nietzsche, escrevo sobre eles e depois Aristóteles, faço piadas e raciocínios simples, porque não consigo mais. Para parecer que sou muito educado e intelectual, mas recorro a uma linguagem erudita e anacrónica
(como as palavras e conceitos erudito e anacrónico)
para mascarar a mediocridade. Não é só uma base cutânea para esconder as olheiras
(é também uma base intercutânea para esconder a fealdade metafísica e ausência de traços distintos)
.
E, por fim, a questão ergue-se: porque é que continuo a produzir
(produzir na esperança de poder ser reconhecido não acredito em escapes de ideias escrevo porque quero ser lido apesar do meu blogue ser ilegível cada vez mais)
? Porque quero um qualquer reconhecimento.
Não quero, no entanto, que o meu blogue seja impresso e vendido
(não faz parte do formato dos meus conteúdos quando produzo para o blogue)
, mas se essa hipótese fosse real, aceitaria
(porque quero um qualquer reconhecimento por isso continuo a produzir)
. Mas a impressão de um blogue não é a consagração do seu produtor nem dos seus conteúdos
(mais é sinal da sua popularidade do que de qualidade a avaliar pelos exemplos)
, é um sintoma do poder do mercado livreiro e do prestígio do livro, independentemente do seu conteúdo
(por que outra razão comprariam as pessoas um conteúdo que está disponível gratuitamente)
.
Produzirei ainda sabendo que aquilo que produzo é medíocre
(devia escolher a ignorância a alternativa torna-se absurda se não compreendo o que leio e o que produzo)
. A alternativa não é se não tivermos força suficiente para a sofrer.

 

O diário

Par spyvia | Le 29 mar 2008 à 12:43 | Général | (Lu 238 fois)

 O que é o meu blogue
(que hei-de eu fazer com este blogue)
? O meu blogue podia ser um diário. Gosto da ideia de diário: mesmo que não escreva numa base diária
(porque um diário embora se chame diário não tem que ser escrito todos os dias porque mesmo que os dias se sucedam uns aos outros as nossas ideias são mais erráticas)
, compreende um conjunto de reflexões que se vão aprofundado ao longo do tempo mais do que um relato do nosso dia-a-dia
(do sexo ocasional ou causal-relacional da comida da bebida dos amigos dos livros do cinema da música do sono e das tardes de sol)
. Se o Nietzsche ainda fosse vivo, suponho que escrevesse dois blogues, pelo menos, “Assim Falava Zaratustra” e “Para Além do Bem e do Mal”, tal é a sua escrita aforismática.
O meu blogue é um diário
intelectual com consciência alheia
.

 

Vivências.

Par spyvia | Le 12 fé 2008 à 15:22 | Général | (Lu 303 fois)
O passar do tempo torna-nos cépticos. Os sonhos de uma vida começam a ter menos sentido, à medida que começamos a encarar a nossa vida como ela realmente é. Ficamos velhos sem dar conta disso.

Por vezes, surgem momentos em que tudo isso desaparece e voltamos a ter os nossos maravilhosos anos de infância, em que nada sabíamos sobre o mundo, em que nada nos parecia difícil e complicado.

Penso muitas vezes em meter uma mochila às costas, desfazer-me de tudo o que tenho e concretizar o meu mais velho sonho de partir sem destino. Ir pelo mundo sem amarras e sem restrições, vivendo do que consigo arranjar em cada porto de vida que me surpreende. Ver novos mundos e novas culturas, aprender muito mais do que sei hoje.

Infelizmente, a âncora que nos prende à realidade vem e agarra-me à minha rotina. E o sonho volta para o seu lugar, um báu escuro e selado.

Hoje acordei a sonhar. Não com a mochila, mas sim com outros tempos em que era louco e despreocupado com o mundo. E ainda tenho um sorriso na face...
Que momento redentor e raro este que passo convosco daquelas horas mais plácidas...
Que prazenteiros estes vossos silêncios, risos partilhados e conversas escutadas
que se vão perpetuando nas paredes ocas deste sítio e que acabam por preencher
o vazio sentido (de formas diferentes)por todos nós.
Há uma imensidão de pequenos pormenores das vossas histórias que me são
tão apelativos, tão reais, tão vividos que por vezes gostava de lá ter estado.
Os vossos prazeres mundanos certamente que não são muito diferentes
dos meus... um sitio para dormir onde não se oiça constantemente o gemer
de um colega a ressacar, um lugar onde a alimentação não seja fria e não tenha
3 dias, qualquer agasalho um pouco mais forte neste frio cortante que por vezes
se faz sentir durante a noite...
Depois... bom, depois, queríamos todos viver, viver um pouco mais,
sentir um pouco mais e sermos algo diferente daquilo que somos, somos.
O duche que corre, um cacifo que se fecha, uma chave que se entrega,
um adeus que se dá.
Um fim de dia que começa, apenas para recomeçarmos tudo de novo amanhã...
Fazemo-nos de novo à estrada na esperança de no fim do dia reencontrarmos
algum conforto, algum abraço ou beijo mais quente... não o encontramos sempre
mas no dia seguinte, o ritual repete-se e pensamos, como sempre:
"Talvez seja Hoje. Talvez Hoje me sinta Vivo!!"

 

Os fantasmas e a morte

Par spyvia | Le 22 jan 2008 à 19:25 | Général | (Lu 328 fois)

Quero um dia conversar com um fantasma, algo que surja da idade de um lugar, da força de uma recordação. Dizia olá  Dorian,
“Olá Dorian”
e ele respondia olá,
“Olá”
e ficávamos a conversar
(quero conversar com um fantasma e aceitá-lo como algo natural não como um ser que me vem assombrar mas sim como alguém assombrado que regressa porque houve na sua vida terrena algo inacabado. não tem que ser amor ou ódio simplesmente uma vida colhida cedo de mais como a palha na iminência da chuva precoce)
. Tentava não ter medo. Perguntava porque regressaste, porque estás aqui,
“Porque regressaste, porque estás aqui?”
e como quem procura as palavras respondia que morreu sem saber e que precisa de acabar algo para poder morrer totalmente,
“Morri sem saber, tenho precisão de acabar algo que não sei o que é para morrer totalmente”
. Provavelmente não acreditaria que tinha visto o Dorian e acabaria por atribuir a um sonho nunca a uma realidade que se misturava com a imaterialidade. Gostava de conversar com um fantasma com a naturalidade de quem aceita a metafísica como algo natural. Mas céptico, atribuiria os devaneios à líbido.

“Senhorita Saeki, senhorita Saeki, senhorita Saeki”
, chamaria pela senhoria Saeki três vezes para que se virasse. Queria tanto vê-la. Ainda que viva, é um fantasma
(porque regressas ao meu quarto passados tantos anos agora que te vejo velha e te desejo nova)
à noite quando dorme e a alma abandona o corpo.
“Porque me chamas se não é a ti que procuro, se não é a ti quem quero. Há muito desejei alguém que não pôde ser meu. Agora não me chames que mesmo que por ti me apaixone não te posso ter”
, responder-me-ia que não era eu quem procurava, que não era eu quem queria. E mais diria a senhoria Saeki
(eu queria conversar com um fantasma vivo e com um fantasma morto para que pudesse compreender a força que nos move além do corpo. e para ter razões para acreditar no mundo alternativo e metafísico que sempre renunciei por ser pouco sensível mas que sempre desejei ter e compreender)

  

 

Da vida como é ou como acontece

Par spyvia | Le 10 jan 2008 à 13:02 | Général | (Lu 296 fois)
É fácil criar um blogue, serve para muitos propósitos. Para dizer mal, para dizer bem, para dizer.
Para dar voz a quem a quiser ter (e quem puder pagar a ligação do telefone e internet mas hoje em dia já nem isso tem precisão que em quase qualquer lado se encontra um serviço que faculta internet gratuitamente).
Arranham-se um, dois, três vitupérios e upa!, está feito, usou-se o blogue e agora fica, posta restante na cauda do intocável, imerecido desaparecido.
O espaço virtual é infinito, talvez por isso se chame espaço.
Tal como o espaço que existe à nossa volta cujos limites desconhecemos (isto tudo para me limpar de um desaparecimento de quase un ano que teve origem com a conjunção de um espelho e uma noite de copos que não existiram porque isto é tirado de um conto do borges. foi do trabalho do gás cortado e do amor que existiram em medidas e lugares e quantidades diferentes foi bom mas fiquei com um peso na consciência agora que eu me preparava para escrever algo maquiavélico sobre nietzsche mas como em mim sei que não tenho que prestar contas a ninguém que devo estar para além do bem e do mal não me importa que sobre nietzsche fique para outra altura).
Haveria necessidade de explicação? Porque escrever não é só escrever, de cada palavra retira-se do produtor do blogue o seu perfil, a sua figura, a sua leitura e audição, a sua visão e tacto. Criam-se pessoas reais partindo daquilo que elas escrevem.
Justificar um desaparecimento de un ano é dizer, que também preciso de espaço, é dizer bom natal, bom ano, bom carnaval, boa páscoa.
É querer bem àqueles que nos lêem (podia até ter a modéstia de acrescentar se tivesse quem me leia mas sei que tenho não visito o meu próprio blogue de vinte computadores diferentes por dia).
Não escrevo por escrever, ainda que por vezes me pareça a coisa mais natural a fazer.
Escrevo porque gosto e ao mesmo tempo é uma actividade extremamente dolorosa (porque está na nossa natureza sermos cruéis e se o não formos com outros acabaremos por sê-los com nós próprios).
Também não por catarse. Escrevo para ser lido, mas não para angariar leitores
(porque se o quisesse sei que o conseguiria da mesma forma que o já fiz em tempos e depois tudo foi mudando naturalmente que se foram embora todos com os seus comentários e ficaram aqueles que queriam ler e que percebiam.
A esses que me lêem a vários níveis foi tempo sabático) e comentários, porque me lê quem quiser.
Amanhã talvez volte às diatribes nietzschieanas. Tudo de bom.

 

Sem Nome

Par spyvia | Le 09 fé 2007 à 11:41 | Général | (Lu 381 fois)

 

Ser eu e seres tu...sermos ambos num só ou os dois separados...
Ler-te e ter-te...Amando-te sem saber se existes, vivo, respiro, ando...
Somos assim, corpos banidos de alma, pois esta há muito partiu para nós, para eles, para os outros...
O que percorro não é definido, o que sonho desfoca-se no passar das horas, mas a tua imagem na minha mente é lúcida e irreal...

Somos o quê, afinal?

Pó espalhado, ar que se dissipa, corrente sem retorno, vento transparente e tempestade mansa...Existimos, sabemos, conhecemos, mas não a mim nem a ti...só a eles, os outros.

Vagueamos assim, na incontornável busca mútua que nos afasta e nos repele, aproximando-nos ainda mais...

 

Interrupção por tempo indefinido...

Par spyvia | Le 23 jan 2007 à 15:00 | Général | (Lu 390 fois)

 Este blog vai estar em pausa por tempo indefinido. Um dia destes volto... quando o mundo parar de cair sobre a minha cabeça.


Um beijo a todos quantos ainda têm a paciência de me ler aqui de vez em quando...

 

Fruto.

Par spyvia | Le 19 jan 2007 à 10:59 | Général | (Lu 411 fois)

tanto mar
filho
e tanta a vontade de voar!

vês ao longe o barco?
quantos sonhos que nos traz
com as ondas do futuro

mas ele há-de aportar
se houver porto seguro
e vontade de voar.
 
(Lire la suite de l’article)

 

Outra coisa:

Par spyvia | Le 19 jan 2007 à 10:51 | Général | (Lu 414 fois)

 

Discute-se o quê para ser brevemente referendado? Quais são os caminhos de "modernidade" trilhados, neste recanto marítimo e ameno, que nos acuam a referendar actos de "boa ou má" consciência do nosso semelhante?

Por que estranhas razões, no dealbar do século XXI, o bicho-homem se mantém tão inseguro de si próprio e, em simultâneo - porventura por isso mesmo - sente tanta necessidade de controlar a consciência alheia, como se tal fosse desejável ou viável, sequer?

Mas se não for por mais nada para além do combate a essa tentativa canhestra, de prepotência frustrada, eivada de tiques totalitários, daqueles que não desistem de ser mentores de consciências alheias e que defendem o NÃO, eu voto no SIM.

Sim, porque o NÃO não deixa liberdade de escolha alguma a quem tenha falta de meios. Não é qualquer "tia" ou "tio" mais ou menos beata, mais ou menos remediada, mais ou menos instruída, mais ou menos culta, que consegue vestir a pele de quem atravessou uma vida de carências e tem pela frente outra vida de carências a oferecer aos seus filhos.

Num país em que, curiosamente e apesar de atávicos atrasos, o bom senso popular encara com dramático fatalismo o "desmancho", mas sem lançar anátemas sociais, ou hipócritas pruridos éticos àquelas que a ele desgraçadamente se sintam compelidas a recorrer, a seita inflamada das bentas almas parece querer atiçar velhas e relhas fogueiras de inquisição... São patéticas, hipócritas e sinistras estas almas.

Não é um caso da sua consciência. Se a consciência (e algum desafogo) delas as impede de tal acto, muito bem, nada a dizer. É a opção delas, seja qual for a lei. E ninguém as contrariará.

Não será esse o caso das outras. Daquelas outras cuja consciência lhes dita o recurso à interrupção de uma gravidez indesejada. Também aqui há o primado da consciência individual - que, convém não esquecer, começa e acaba na mulher. A essas, os apoiantes do NÃO querem coarctar o direito de escolha, como presumíveis detentores de uma verdade que, afinal, é apenas a deles e só a eles serve.

E quando alguém se arvora em guardião da consciência alheia, esse mata o livre arbítrio. Toda a restante argumentação não passa de meras questões técnicas - de medicina ou de direito - mas seguramente de saúde pública, pois é de saúde pública que se trata quando nos propomos criar condições de acesso a cuidados de saúde a quem não tem acesso a eles. De resto, não me parece que esteja mais alguma coisa em discussão, para além disto.

Efectivamente, também por aqui passa a Liberdade. Eu votarei no SIM.

 

Há!

Par spyvia | Le 17 jan 2007 à 13:12 | Général | (Lu 381 fois)

 

Existe o perdoar - Onde nós perdoamos quem nos fez mal mas não esquecemos que o fizeram!
Existe o esquecer - Onde nós esquecemos o que nos fizeram mas não perdoamos!
Existe o perdoar para esquecer - Onde perdoamos quem nos fez porque sentimos a necessidade de esquecer o que foi feito!
Existe o esquecer para perdoar - Onde esquecemos o que fizeram para perdoarmos a pessoa que o fez porque queremos que tudo fique como estava!

E existe o sexo casual onde não há chatisse para nenhuma parte...porque sim...tudo se resume ao sexo!

 

Walk

Par spyvia | Le 10 jan 2007 à 16:37 | Général | (Lu 319 fois)

 

«Find myself singing the same songs everyday
Ones that make me feel good
When things behind the smiles ain’t ok

Around and over and in-between the seas
I need to be on top of a mountain
Where I can see everything
‘Cause this paranoia is getting old

And now as I open my eyes to start another day
I’m in a pile of puke
Empty bag of excuses
My love for friends and family
You know I need them

And under the sun that’s see it all before
My feet are so cold
And I can’t believe that I have to bang my
Head against this wall again
But the blows they have just a little more
Space in-between them

Gonna take a breath and try again»


Blind Melon, “Soup” (1995)

 

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